Sim, perdão, ninguém?; Necessito de sua ajuda. Estou desesperada: não posso sair. Ainda não há pessoa que me tire daqui e eu jamais saberei em que vazio me largaram. Necessito algo de luz, de harmonia se ficar… Ninguém, me ouve? Ajuda-me a fugir, rápido, cada vez menos estou segura aqui dentro e não tenho tanto tempo. Há gritos e feridos. Eu estou tentando sobreviver, mas estou me apagando; Não aguento muito.

Já voltaram os seres que me tornam ínfima. Gritam e eu só vejo enorme veias em seus pescoços que vão explodir e salpicar em meu corpo. Evitar parece impossível, só você saberia. Ninguém, vem me salvar. Não escutam, só anseiam se vitimizar para justificar seus machados. Mas cinco segundos depois não recordam de ter feito nada, embora eu sigo sendo muito sensível…

Agora partiu outro vértice e você, Ninguém, continua sem aparecer…

É como viver submersa na irracionalidade. Não sabem admitir e eu não posso fazer eles compreender que são minha dor mais forte.

Por favor, se apresse.

Me chamo Paloma e isso é tudo que sei de mim.

Minha Avó disse que há que respeitar qualquer amor. Seu problema não é a intolerância e sim a experiência: ” hoje pode estar bem mas amanhã… ai filha… nunca se sabe.”

O elevador parou quatro vezes em meu andar e meu cachorro pensou que seria minha mãe. Seu problema é que não vem, o meu é quando faz:” que desgosto, quão bem eu estava sozinha”.

A casa da qual me queixo tem uma estrutura em frente tão feia que as vezes me ajuda a me distrair do quão feia pode chegar a ser.

Três dias atrás tive a mesma perda que faz dezasseis. Ninguém sabe a dor nos olhos que causa abri-los quando você já decidiu permanecer à cegas.

Me chamo Paloma e me apaga não escolher minhas despedidas.

Repousam tranquilas suas consciências enquanto a minha não me pede mais que alimenta-la.

Eu desaprendi a pensar com claridade

Imoral, eu ou você?

Eu. Eu. Eu.

Você. Você. Você.

Suspeito que cresci em um ventre de um cachorro.

Estas são as linhas onde não escrevo nada porque nada é o som tardio que escuto ao tocar fundo.

Tanta luz remove o resto.

E eu lhe fazendo chorar com o maldito que é me querer.

O uso de maiúscula é por falta de atenção e não de ortografia.

corre, 09:12 e tenho que lhe dizer algo

pensará que ultimamente controlo muito o tempo, deixe-me levar, que deixe de pensar, que meus princípios me farão assumir um final e tudoissoquealguémcomovocêdisseaalguémcomoeu.

mas é que o tempo é ouro.

e eu um pássaro cadavérico em uma jaula do mesmo material.

não sei o que vinha dizer mas hoje é sábado e isso é horrível: quanto conversas absurdas no whatsapp e propósitos que acabam tendo forma de sofá.

hoje me apetece dar de comer ao direito. creio que lerei algo e depois seguirei escrevendo outra merda desconhecendo o fim. (já disse que todos propósitos acabam tendo forma de sofá?)

por fim, sabes que? – digo.

ontem não tive medo.

um safari no peito ainda sem ouvi-la subindo as escadas.

recorda da casa na praia? tem nevado, e o sal não me parece boa solução.

escolta é só um verbo de valente.

“Branco e preto e branco e preto, atenção: quero ensina-los a morrer.”

disse nãoseiquem.

enquanto eu com as 09:26, sigo sem dizer nada.

ah,

sim.

ah sim g é minha letra favorita.

 

 

 

Todas as vezes que morri.

Estive pensando se deveria realmente falar isso aqui, até porque é muito pessoal. E implorar para vocês não se machucar em um relacionamento abusivo.

Eu não quero falar mal dos meus ex’s. Eu só quero que vocês vejam que por mais que eu me mostre forte o tempo todo, eu acredito nas bondades das pessoas. Eu erro comigo mesma.

Principalmente o Diego, o Marcos, o Bruno, a Alana e aquele desconhecido.

O que me assediou pela primeira vez aos dez anos.

Aos dez anos foi quando  me senti incomodada pela primeira vez com o toque masculino.

Aos dez anos vi minha coragem ir embora, me vi depressiva, me vi doente e pela primeira vez me senti fraca.

Nunca mais fui a mesma, nunca mais me senti segura.

Eu ficava com medo até dos olhares do meu pai quando direcionados à mim.

Foi a primeira vez que morri, eu mal sabia que mais tarde os mesmo sentimentos iam me assombrar pela segunda, terceira, quarta e quinta vez.

Aos 16 anos depois de sair de uma clinica de reabilitação por causa de drogas e da depressão e quase morrer de overdose, conheci o Diego.

Foi meu primeiro namorado depois de tudo que aconteceu.

Demorei muito pra me dar a oportunidade de ser feliz de novo ou pelo menos tentar.

É incrível o começo de um relacionamento, você jamais imagina as coisas ruins que podem te acontecer.

Eu era cega de amor.

Diego depois de 1 mês mostrou quem realmente era. O Agressor.

Apanhei, muitas vezes e continuei com ele.

5 meses depois eu vi a outra face que eu jamais esperava. O Estuprador.

Eu não acreditava no que estava acontecendo, eu fiquei paralisada o tempo todo.

Não consegui gritar, me mexer e nem sequer respirar. Eu só queria morrer pra não ter que acreditar que teria que passar por tudo aquilo de novo.

Quando tudo aquilo acabou, eu fui embora. Eu fui denuncia-lo. Ele sabia o que eu ia fazer e riu.

Não aconteceu nada, ele simplesmente pagou a fiança e continuou infernizando minha vida.

Ameaçando a mim e a minha família.

Depois de anor.

Até o dia que ele invadiu minha casa e mais uma vez me vi acabada. Mais uma vez ele levou tudo aquilo de mim que me esforcei todos os dias para recuperar desde então.

Eu não sabia como explicar isso para a minha namorada. Eu não sabia como reagir com ela depois que contei.

Eu perdi a coragem de conhecer as pessoas pessoalmente, a todo momento tenho receio de ficar com um cara sozinha.

E desde a ultima vez que tudo aconteceu, faz 2 meses


*Eu realmente não consigo mais contar essas coisas.*

O fato de que mais do que a metade das minhas amigas já passaram por isso me deixa angustiada. Eu sofro por mim e por elas. Eu sei o quão difícil é se desapegar de alguém. Mas eu aprendi que quando faz mal te mata aos poucos. E comecei a ter amor próprio. É o que você sempre vai ter que priorizar. Isso vai te dar coragem de se afastar, de denunciar e seguir sua vida para um caminho de luz.

E o abuso eu considero em todas as vezes que me senti enjaulada. E o abuso mais sério deles foi achar que por que tínhamos algo,  o não era um “charme”. Foi abuso quando as meninas usaram o psicológico daquele tipo “o que eu vou fazer sem você?” entre outras frases que te fazem se sentir culpada no termino de um relacionamento.

O feminismo é necessário. É a luta de todas nós pela liberdade, pela a vida, pelo o que sonhamos e queremos.

É necessário denunciar um caso de abuso, agressão e tudo o que se encaixa.

Ao longo da vida, cada vez mais vou entendendo que insistir em pessoas que não acompanham sua evolução é um erro que pode te afundar. Saber deixar, saber se guiar sozinha no meio do caos é assustador quando você perceber que ninguém te acompanha.

É necessário você saber que a pessoa RESPEITA o que você precisa.

Você precisa de um ser de luz. As vezes essa luz vem de algum desconhecido na rua que te dá a unica coisa que pode: um sorriso. Ou de alguém que se dispõe a correr contigo. Ou de alguém que te dê um colo.

Não escrevo isso para vocês pensarem que se relacionar é uma merda, e sim para ver que somos falhos em achar que “da pra seguir” ou que “não é tão sério assim”. A base do relacionamento é os dois se completarem, é a amizade, respeito e o amor.

Em um relacionamento você se completa e não se depende. 

Em um relacionamento não permitem que usem a palavra “amor” de uma forma tão egoísta. Quem ama agrega.


Todas as vezes que morri.

Da primeira vez que me mataram
Perdi o céu estrelado
E, enfim, quem havia me amado
Na neblina da escuridão se perdeu

Da segunda vez que morri
Tomaram-me uma esperança vaga
Do que nem ao menos entrevi
Reduziram a pó minha existência

Mas da terceira vez, eu me suicidei
A morte levou meu sangue, meu ar…
Não me resta sequer vontade de reter a lucidez
Que certamente seria a próxima a me assassinar.

Ana Pismel

 

Um escrito do final de outubro que não nosso.

Todas as bitucas de cigarros do chão estão chorando por não saber de ti.

Didi queria Gogo apesar dele.

15 segundos olhando para mim e eu 16 me fazendo de tonta

300 larvas se reproduzem em meu estomago quando diz que me ama.

O alcatrão é feio porque em seu corpo só eu quero estar.

Gogo já morreu na vez que pensou em se separar de Didi.

Bitucas nos olhos das pessoas que não sabe olhar para mim como você.

(Creio que as larvas eram largatas, em breve, mariposas.)

Acabo de escrever isso enquanto fechei meus olhos e cheguei a conclusão de que dormir sem ti é uma merda.

Me da vergonha admitir que admito que admitir certas coisas me da vergonha.

Desde que eu tenho o meu umbigo chora o conceito de prisão.

As mãos que beijaste começaram a se romper pelo o dedo que se chama igual ao que se destruiu primeiro

Eu gostaria que tivesse ensinado antes.

Me da coisa admitir que já tenho admitido como qualquer coisa.

Uma coisa.
Me digo rápido.
E isso volto a esquecer.

 

 

Aceitar a imperfeição e focalizar o conjunto.

Sou o próximo passo para uma incógnita, o medo de uma atração na primeira fila, o desejo de atração que está proibido, o osso que incomoda um abraço, a mescla de um vulcão e um tsunami.

Sou o filme que faz lamentar aqueles que nunca choram, a expectativa que jamais se cumpre, o resultado de um questionário que não espera, o despiste de deixar a porta aberta, a chave que se esquece dentro.

Sou a insegurança de uma noite sem alarme depois de haver roubado o vizinho o dia anterior, um relógio parado em que ninguém para para ouvir seu tic-tac, o golpe com o que se tenta reparar um televisor. Eu sou o televisor.

Sou um livro proibido que ainda não encontrou leitor, o grito nos ouvidos surdos que se mantem a margem, uma flor em um oasis. O oasis. O deserto. Incolor, mas não água.

Sou a rosa do príncipe que acabou abandonada, sou a quarta espinha que se desconhece, a impaciência de roer as unhas até sangrar, o remorso de uma dieta saltada, o domingo lembrando que amanhã é segunda-feira.

O sim de um narcisista, a interrogação de um filósofo, o sapato do seu passado.

Sou faro, salva-vidas, bote, o apito que salvou a Rose, mas não se trata só de resgate. Sou o barco que segue o caminho que tão poucos e esta noite não há estrelas.

Como forçar a se perdoar?

Sou a palavra sou camuflada em uma definição incompleta.

Um espectro infinito em constante descoberta

Indefinível.

 

Sou, e não concluo, a agressividade não intencionada das seguintes três linhas:

Aqueles que presumem me conhecer,

Você me conhece

Mas pouco.